Investidores de varejo financiam as GPUs que rodam a IA das empresas brasileiras e recebem renda fixa mensal. Funciona, com uma condição: o lastro é o contrato, não a GPU. Esta página mostra o que não fecha, o que fecha, e os números de uma série.
"Você é dono de um pedaço das GPUs que rodam a IA das empresas brasileiras, e recebe todo mês."
IA e GPU são a história do momento, e o varejo brasileiro não tem como comprar exposição direta. Nvidia na bolsa é dólar e papel; isto é máquina, no Brasil, com nome de cliente.
Renda fixa mensal com um ativo que dá para tocar. O mesmo apelo que fez os tokens de recebíveis imobiliários e do agro crescerem na Liqi.
A capacidade tem uso visível. Cada série mostra quais empresas rodam nela, quantos assentos, quanto do serviço da dívida está contratado. É a diferença entre "GPU" e "GPU com cliente".
A Liqi já tem o trilho: securitizadora sob a isenção da Res. 88, plataforma de crowdfunding licenciada desde março de 2025, base de investidores que compra renda fixa tokenizada.
"Retorno garantido, lastreado na GPU." A GPU é um ativo que derrete. O preço de aluguel de uma geração cai 30 a 40% ao ano: o H100 foi de US$ 8 para menos de US$ 3 por hora; o B200 caiu 30% em três semanas em junho de 2026; o Rubin começa a ser entregue no segundo semestre. Uma B300 comprada hoje vale talvez 25 a 35% do preço em três anos. Prometer cupom fixo com esse lastro é a Cultura Builder assumindo sozinha o risco de depreciação e de preço. Em ano dois, quem paga o cupom é o caixa da operação, não a máquina.
"Se não usarmos, alugamos na Vast.ai com prêmio." Não há prêmio. A Vast é o piso do mercado, não o teto: a B300 aparece lá a US$ 5,63 por hora contra mediana de US$ 7,85 nos provedores; a plataforma fica com 25 a 30% do que o host recebe; a utilização de um host novo fica entre 50 e 70%. Líquido realista: cerca de US$ 4 por hora, R$ 9 mil por GPU por mês, caindo com a curva de preço. Oito GPUs paradas rendem R$ 74 mil por mês. O serviço da dívida de uma série é R$ 106 mil. A Vast é rede de segurança, não tese.
"Garantido" no material da oferta. A Res. 88 não permite prometer retorno; o que existe é título de dívida com remuneração definida, garantia real e risco de crédito declarado. Sem FGC. E um sócio da Cultura Builder ser sócio da Liqi é parte relacionada: precisa de agente fiduciário independente, taxas de mercado e disclosure, ou vira o primeiro parágrafo de qualquer reportagem ruim.
É o mesmo desenho que financia os neoclouds: o banco empresta contra o contrato assinado, e a GPU entra como garantia secundária. Aqui, o "banco" é o varejo via Liqi.
Cessão fiduciária dos recebíveis dos contratos de assento. Contrato anual, doze parcelas, cliente com nome. É o que paga o cupom. A GPU é garantia real por alienação fiduciária, segunda linha.
A série tem o tamanho da demanda: uma GPU para cada ~150 usuários já contratados, com 40% de folga. Assim as mensalidades cobrem a parcela desde o primeiro mês, o fundo de reserva cobre atrasos e a Vast.ai cobre a folga. A ordem é: contrato, depois token, depois GPU. Nunca GPU primeiro, e nunca máquina pela metade: abaixo de 60% de uso, alugar sai mais barato para a Cultura Builder.
SPE por série (ou patrimônio separado na securitizadora), com agente fiduciário independente, conta vinculada e taxas de mercado. Isola o investidor do resto da Cultura Builder e resolve a parte relacionada.
Res. 88 via Liqi hoje: até R$ 15 milhões por emissor por ano, investidor de varejo até R$ 20 mil por ano, emissor com receita até R$ 40 milhões. A reforma em consulta sobe para R$ 25 milhões, e R$ 50 milhões por patrimônio separado. Acima disso, CR por securitizadora registrada sob a Res. 160, sem teto.
CDI + 3 a 5 pontos, mensal, prazo de 24 a 36 meses. Com Selic a 14%, dá 17 a 19% ao ano. É o que compete com CDB de banco médio para um crédito com garantia real e recebíveis cedidos. Sem a palavra "garantido".
A SPE cobra da Cultura Builder R$ 350 por assento ativo por mês, o mesmo que a CB pagaria alugando. Uma GPU serve cerca de 150 assentos de uso misto. O que sobra vai para a Vast.ai a R$ 9 mil por GPU por mês.
| Assentos contratados | GPUs em uso | Receita CB | Vast.ai | Total | Cobertura | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | — | R$ 74k | R$ 74k | 0,54× | A tese "GPU + Vast" pura. Não fecha. |
| 150 · 3 clientes de 50 | 1 | R$ 53k | R$ 64k | R$ 117k | 0,86× | Vive do fundo de reserva. Não emitir. |
| 300 · 6 clientes de 50 | 2 | R$ 105k | R$ 55k | R$ 160k | 1,18× | Paga o investidor, mas a CB paga mais que alugando. Tamanho de piloto (4 GPUs), não de DGX. |
| 450 · 9 clientes | 3 | R$ 158k | R$ 46k | R$ 204k | 1,50× | Confortável. |
| 750 · 15 clientes | 5 | R$ 262k | R$ 28k | R$ 290k | 2,1× | Gatilho da Série 1 (8 GPUs): 60% de uso, dono ganha do aluguel. |
| 1.200 | 8 | R$ 420k | — | R$ 420k | 3,1× | Máquina cheia. Próxima série. |
Cobertura = receita ÷ (serviço da dívida + operação). Assentos de uso pesado (devs com agente o dia todo) consomem 3× mais GPU: 300 assentos pesados usam 6 GPUs e a cobertura cai para 0,9×. Por isso o gatilho é medido em GPU-equivalente, não em assentos. E há dois testes, não um: o investidor precisa de cobertura acima de 1,2×; a Cultura Builder precisa de 60% da máquina em uso, senão alugar custa menos.
R$ 17 mil por GPU financiada contra R$ 27 mil alugada. Com a máquina a 60% ou mais, a SPE paga o cupom e a Cultura Builder reduz o custo de compute por assento de R$ 250–450 para cerca de R$ 100. É margem que hoje vai para o provedor de nuvem.
No mês 36 a dívida acabou e a máquina ainda existe. Vale 25 a 35% do preço, ou segue rodando o tier de programa e trabalhos em lote a custo zero de capital. Esse resíduo é da SPE, portanto da Cultura Builder. O investidor recebeu cupom e principal.
A máquina é um ativo em dólar; o cupom é em real. A receita da Vast.ai é em dólar e o valor de revenda também. É um hedge parcial que joga a favor do emissor num real fraco, e contra num real forte. Precisa estar escrito.
A pergunta "vamos precisar comprar GPU para sempre" tem resposta sim, e é isso que faz o desenho funcionar melhor do que uma compra única. Cada safra é uma série separada, com o próprio patrimônio, o próprio gatilho e a própria geração de chip.
Piloto · 4 GPUs, R$ 1,5 milhão. Emite quando 300 usuários estiverem contratados (2 GPUs em uso, 40% de folga). Hoje a Cultura Builder tem uma fração disso; até lá, aluga.
Série 1 · DGX B300, R$ 3,0 milhões. Emite com ~750 usuários contratados (5 GPUs em uso). É o ponto em que a máquina própria ganha do aluguel.
Séries seguintes · Rubin. O chip novo entra na série nova. A B300 da série 1, já com parte da dívida paga, desce para clientes de programa e trabalhos em lote, ou vai para a Vast.ai.
Rolagem. Série vence, máquina fica. O programa vira o motor de capex da empresa: o que limita o ritmo é contrato assinado, e o teto regulatório do ano.
| Trilho | Teto | Equivale a |
|---|---|---|
| Res. 88 hoje, via Liqi | R$ 15 mi / ano | 5 séries de um DGX, ou 10 pilotos |
| Res. 88 reformada (consulta fechada, regra final pendente) | R$ 25 mi · R$ 50 mi por patrimônio separado | 8 a 16 séries |
| CR por securitizadora registrada, Res. 160 | sem teto | 6 a 12 meses para montar; rating e ANBIMA para varejo |
O grupo de trabalho de tokenização da CVM (Portaria 177, julho de 2026) deve propor um regime experimental até setembro. Se sair, muda o trilho; rever antes de estruturar.
Cupom mensal de CDI + 3 a 5 pontos, 24 a 36 meses, principal no fim ou amortizado. Ticket a partir de R$ 1 mil; varejo limitado a R$ 20 mil por ano; investidor qualificado sem limite.
Recebíveis dos contratos cedidos + GPUs alienadas + fundo de reserva de três cupons. Ordem de pagamento: primeiro o investidor, depois a operação, por último a Cultura Builder.
Painel público da série: quais clientes, quantos assentos, utilização da máquina, cobertura do mês. Compute tokenizado vira compute auditável. É o argumento de venda e a proteção do emissor ao mesmo tempo.
Tabela regressiva de renda fixa, 22,5% a 15%. Não é isento como CRI e CRA.
Risco de crédito da Cultura Builder e dos clientes. Se os contratos caírem, o cupom depende da Vast.ai e da venda da máquina.
A GPU perde valor rápido. A garantia real cobre uma fração do principal no ano três.
Liquidez limitada. Secundário só dentro da plataforma, se houver comprador.
Parte relacionada. Um sócio do emissor é sócio da plataforma. Por isso o agente fiduciário é independente e as taxas são as de mercado.
| Risco | O que acontece | Mitigante |
|---|---|---|
| Depreciação e obsolescência | Rubin em 2026, preço de aluguel −30 a 40% ao ano | Prazo curto (36 meses), gatilho por contrato, série por geração, resíduo fica com a SPE |
| Utilização | Máquina parada rende R$ 9 mil por GPU na Vast.ai, não R$ 17 mil | Emitir só com 60% do serviço da dívida contratado; fundo de reserva; piloto de 4 GPUs antes do DGX |
| Concentração de clientes | Um cliente de 50 assentos é um sexto do gatilho | Mínimo de 4 clientes por série; nenhum acima de 35% da receita cedida |
| Importação e REDATA | Sem REDATA a máquina custa 1,86× o FOB; a habilitação exige energia renovável, 10% ao mercado interno, 2% em P&D | Alternativa: colocation em Miami, sem importação; perde a narrativa "no Brasil", ganha custo. Decidir por série |
| Regulatório | "Garantido" proibido; reforma da Res. 88 e regime experimental da CVM em andamento | Linguagem de renda fixa com risco declarado; estruturar depois da regra final; Liqi acompanha |
| Parte relacionada | Sócio comum entre emissor e plataforma | Agente fiduciário independente, taxas de mercado, disclosure na oferta, sócio comum fora da decisão de emitir |
| Câmbio | Cupom em real, ativo e backstop em dólar | Hedge parcial natural; declarar; opcionalmente cupom parcialmente dolarizado |
| Operacional | Colo, energia, falha de hardware | Suporte NVIDIA 3 anos incluído na compra; SLA de colo; seguro de equipamento |
"Invista em GPU no Brasil com retorno garantido; se sobrar, alugamos com prêmio." O ativo derrete, a Vast.ai é o piso do mercado, e "garantido" não pode ser escrito. Quem paga a diferença é a Cultura Builder.
"Compute tokenizado": dívida com cupom fixo, lastreada nos contratos anuais de assento, com a GPU como garantia real, emitida por série só quando o contrato já existe, e rolada por safra a cada geração de chip. A narrativa é a mesma. A estrutura é outra.
Liqi: validar instrumento (nota comercial tokenizada ou CR em patrimônio separado da TR Block), custo de estruturação e distribuição, prazo, e como tratar a parte relacionada. Confirmar o estado da reforma da Res. 88.
Cultura Builder: carteira de contratos anuais até 300 usuários para o piloto de 4 GPUs, 750 para a Série 1. É o gatilho. Nada se emite antes.
Infra: decidir Brasil com REDATA (habilitação, prazo 31/12 para os benefícios de PIS/COFINS/IPI) ou colocation em Miami. Recotar a Bull; a proposta de maio venceu.
Piloto: série de R$ 1,5 milhão, 4 GPUs, 24 meses, painel público desde o dia 1, com 300 usuários contratados. Prova o trilho e o apetite antes do DGX.